21 de nov de 2009

Uma jovem pecuarista, seduzida pelos encantos do Shorthorn

Garota de 14 anos é a mais jovem criadora da raça britânica no Brasil

Quem disse que a atividade campeira é liderada por homens? Os tempos mudaram, a mulher ganhou voz ativa na sociedade e a cada dia, conquista mais espaço no mundo globalizado. Por outro lado, elas também encaram as "tradições" e á ferro e fogo registram a marca feminina nos mais variados seguimentos e dão um show de competência também. Betina Rossato de Abreu Medeiros, por exemplo, é uma jovem pecuarista, de 15 anos de idade. A guria que reside na cidade de Cruz Alta/RS, é considerada também a mais jovem selecionadora da raça Shorthorn do Brasil. A interação com o meio rural é fruto do vínculo familiar com a pecuária. Seu pai, Alberto de Abreu Medeiros, é proprietário da Agropecuária Maipú, localizada em Ibirubá/RS, tradicional selecionadora da raça Aberdeen Angus. Alberto sempre incentivou a filha á freqüentar a fazenda e conviver com as artimanhas do campo, o que, segundo Betina, fez toda a diferença para ela se tornar a jovem pecuarista.
Porém, o que faz esta história tão diferente, não é apenas a idade da menina. Betina se diferencia não só pela juventude aplicada em um trabalho de criação, como também por suas decisões. Ela mesma, estudou, pesquisou e escolheu a sua própria raça para criar e selecionar, diferentemente do que estamos acostumados á ver, onde filhos seguem o mesmo trabalho da família. Conta que sempre ouviu falar em suas andanças pelo campo com seus familiares, que a raça mãe das raças, se chamava Shorthorn. O slogan “raça mãe” se refere á duas de suas principais características. Uma delas faz alusão á grande quantidade de raças que o Shorthorn influenciou geneticamente e formou no decorrer das décadas. Outra menção que se pode fazer ao “raça mãe” é sem duvida o fato da vaca Shorthorn ser uma excelente mãe. Sua habilidade materna é incrível devido aos cuidados e por ser muito zelosa com sua cria, ocasionando uma perda muito pequena de terneiros se comparando com outras raças de corte. Isto causou muita curiosidade á jovem, a qual á levou a buscar mais informações sobre a raça. Em visita á Exposição rural de Palermo, em Buenos Aires na Argentina, Betina teve a oportunidade de conhecer ao vivo a famosa “raça mãe”. “Lá eu vi como o Shorthorn é uma grande raça e de muita importância naquele país, pois ela está entre as três principais raças bovinas, ao lado do Aberdeen Angus e do Hereford” conta. Ao ver os animais, Betina se encantou com os exemplares que viu principalmente pela diversidade de pelagens encontradas na raça – vermelha, branca, rosilha e vermelha e branca -.
Após ter conhecido a raça de perto, Betina sonhava em criar Shorthorn. Com o apoio e a ajuda do pai, ela adquiriu os primeiros ventres e iniciou a reprodução dos mesmos, dando inicio á formação do seu plantel. Ela conta que não sabe explicar o grande amor que ela tem pela raça, no entanto, arrisca que tanto características raciais e estéticas, quanto funcionais, a fazem amar cada vez mais o Shorthorn. “Nem eu entendo a minha paixão, mas acho que é por alguns fatores, como a pelagem que me encanta muito, a habilidade materna, a docilidade, a rusticidade e a rápida capacidade de engorda e terminação” conta. Porém não deixa de atribuir também ao “sangue” de pecuarista que também influencia.
Quem pensa que o sonho de Betina já está realizado, está muito enganado. A menina quer ver a raça Shorthorn no topo da pecuária, começando por uma criteriosa seleção realizada entre seus próprios animais. “Quero reproduzir as minhas melhores matrizes e mostrar nas exposições os melhores animais produzidos, ou seja, mostrando ao Brasil e ao mundo, as grandes qualidades desta raça maravilhosa” explica. Entre os tantos sonhos de Betina, envolvendo a pecuária e especialmente o Shorthorn, era de expor seus animais na Expointer, sonho também já realizado, mas como muito trabalho pela frente. Em 2007, ela levou pela primeira vez seus animais, sendo uma fêmea e dois machos, e não é que a guria já começou com o pé direito? Sua terneira “Santa Isabel 017 Freak Estrela 701” conquistou de cara o grande campeonato da exposição. Já em 2008, ela quase não foi para a feira, mas a família de Betina se empenhou e ajudou a guria mais uma vez. Proprietária da Rural Abreu, Vera Abreu, avó de Betina é criadora de Braford, e inscreveu animais para participar da Expointer. Para incentivar a neta, se comprometeu de levar a fêmea Shorthorn para Esteio, juntamente com seus animais. No julgamento, novamente, ela conquistou o grande campeonato, sendo bi grande campeã da mostra, sem ter completado dois anos de vida. Este foi o grande motivo para que Betina pulasse da arquibancada da pista de julgamento do parque Assis Brasil, e com gritos e lágrimas no rosto, estampa-se um carinhoso beijo na sua amada novilha. “Ela representa muito pra mim, pois é um sonho que consegui realizar graças ao meu pai e a toda minha família. Acho que é muito importante a participação da raça na feira, já que a Expointer tem o papel de divulgar o trabalho de seleção dos criadores, mostrando a melhor genética de cada raça, e a Agropecuária Maipú, obteve grande sucesso pois ela acredita no Shorthorn e tem animais com grande potencial para a pecuária brasileira” conta, a jovem, que este ano, na Expointer 2009 faturou novamente o grande campeonato de fêmeas e também o de machos da raça.
Depois de tanta alegria e emoção com os resultados na Expointer, Betina se interou ainda mais com a raça e os outros criadores se tornando a diretora dos jovens criadores da Associação Brasileira dos Criadores de Shorthorn e Lincoln Red. Responsabilidade em dobro é agora que ninguém mais segura esta guria, que vai fazer de tudo para realizar seus tantos sonhos, entre eles, tornar a raça Shorthorn e seus criadores cada vez mais fortes.

Texto: Nathã Silva de Carvalho